PRODUZINDO NOVOS SENTIDOS SOBRE O ENVELHECIMENTO ATRAVÉS DAS PICS: RELATO DE EXPERIÊNCIA EXTENSIONISTA EM OFICINA DA UATI/UEFS

Autores

  • Ana V. L. Ferreira UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA
  • Amanda Leite Novaes Universidade Estadual de Feira de Santana

DOI:

https://doi.org/10.13102/jeuefs.v2i2.6035

Resumo

Introdução

 

Trata-se de um relato de experiência extensionista de dois anos de execução do plano de trabalho intitulado Práticas Integrativas e Complementares na ressignificação do envelhecer, que teve como público alvo idosos integrantes do programa de extensão Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI). Abordar-se-á aqui, os objetivos do plano, o referencial teórico que o embasou, seu método de execução e os resultados alcançados.

O plano de trabalho foi idealizado tendo em vista que, ainda nos dias de hoje, o processo de envelhecimento é permeado por diversos estereótipos negativos que o reduzem a perdas e limitações (SILVA, 2008), e isso pode impactar na própria forma como essa fase da vida é vivenciada (DEBERT, 1999).  Então, diante dessa necessidade de se propagar a existência de outras possibilidades para um envelhecer saudável e prazeroso e promover ações que viabilizassem isso, é que esse plano surgiu.

Nessa perspectiva é que foi proposta a construção de uma oficina de Práticas Integrativas, na qual, seriam fomentadas discussões que contribuíssem para elaboração de novos sentidos sobre o processo de envelhecimento, através do desenvolvimento de vínculo com os participantes e do incentivo ao compartilhamento de suas experiências e opiniões, atrelado à vivência de uma das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS).

As PICS foram implementadas como política pública de saúde no Brasil em 2006 por meio da Portaria Nº 971 da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares que, inicialmente, compreendia apenas Medicina tradicional chinesa, Homeopatia, Fitoterapia e Termalismo (BRASIL, 2006). No entanto, através da Portaria Nº 849 de 2017, foram acrescidas mais 14 práticas, são elas: Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga (BRASIL, 2017).

Apesar de serem práticas distintas e baseadas em arcabouços teóricos diversos, todas elas compartilham alguns objetivos, como a inclusão, o partilhamento de valores, a busca por melhor qualidade de vida, e a promoção de saúde (BRASIL, 2015). Além disso, buscam estimular os mecanismos naturais de prevenção de agravos e recuperação da saúde por meio de tecnologias eficazes e seguras, com ênfase na escuta acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade (BRASIL, 2015).

À vista disso, e corroborando com o objetivo principal da UATI, que é a promoção de melhora na qualidade de vida dos idosos que atende, é que foi implementada a Oficina de Práticas Integrativas, através do edital de bolsas PIBEX de julho de 2018, com renovação em julho de 2019.

 

Método

            As oficinas aconteceram semanalmente às quartas a tarde, em uma das salas do Parque Esportivo da UEFS, e, ao longo desses dois anos contou com um público de cerca de 40 idosas, com idades entre 60 e 80 anos, oriundas de diversas localidades do município de Feira de Santana.

            Quanto aos aspectos metodológicos, a construção da oficina teve como base a Metodologia da Aprendizagem da problematização de Charles Maguerez, o qual, propôs a elaboração de cinco etapas a serem seguidas, a citar,  1- observação da realidade e formulação do problema; 2- elaboração dos pontos-chave, que consiste em identificar o que é prioridade para a resolução do problema identificado; 3- teorização, onde é definido qual o suporte teórico-científico a ser utilizado; 4- hipótese de solução, momento no qual se delimita a alternativa viável para a solução do problema; e 5- aplicação à realidade (FAGANELLO et al., 2018).

            Nesse sentido, cada oficina foi elaborada em torno de uma temática específica, definida a partir do que identificado como uma demanda do grupo. Então, com base nesse tema, as oficinas eram organizadas em 3 momentos distintos, o acolhimento, onde era realizada uma dinâmica inicial, seguido da vivência de uma das práticas intercalada com uma roda de conversa e o encerramento, onde as participantes tinham a oportunidade de dar seu feedback ao que foi realizado.

            Cabe salientar, que durante a manutenção da oficina em contexto remoto, devido a pandemia de Covid-19, o mesmo método foi aplicado para sua adaptação ao meio virtual.

 

Resultados e Discussões

            Nesses dois anos foram abordados temas como, a importância do autocuidado, da autovalorização, da aceitação, do cuidado com a saúde mental, dentre outros. E, dentre as PICS, foram vivenciadas Dança Circular, Bioenergética, Massoterapia, Fitoterapia e Yoga.

Ademais, durante a manutenção da oficina no contexto remoto, foram produzidos cards e vídeos tratando das PICS enquanto estratégia de enfrentamento do contexto pandêmico, com propostas de vivências adaptadas de Meditação guiada, técnicas de respiração, Automassagem, Bioenergética e Dança Circular. Salienta-se que os vídeos produzidos foram lançados em um canal no YouTube chamado “PICS na UATI”, e o link de cada vídeo era compartilhado no grupo de Whatsapp da oficina.

            No que tange aos resultados alcançados com a oficina, tanto em contexto presencial quanto remoto, os relatos das participantes abarcam, tal como as PICS preconizam, aspectos biopsicossociais, como, a melhora do sono, da coordenação motora, mobilidade, redução de dores, diminuição da ansiedade e do estresse. Além disso, é possível evidenciar, também, as demonstrações de alegria esboçadas através dos sorrisos e falas que ressaltam a importância de estar em grupo, em constante interação e poder compartilhar experiências, angústias e se sentirem acolhidas. Corroborando com Azevedo et al. (2015), em seu estudo sobre os benefícios das PICS para a saúde da pessoa idosa.

 

Considerações finais

            A extensão universitária tem tido um papel fundamental na disseminação e oferta das PICS dentro da universidade, não apenas através da oficina aqui descrita, mas também de outros programas e projetos extensionistas.  Nesse sentido, a oficina de Práticas Integrativas contribuiu para a divulgação e vivência de algumas das PICS entre os idosos da UATI.

            Para além disso, a experiência extensionista oportuniza o contato com situações que aproximam o estudante dos desafios próprios da esfera profissional, e, nessa perspectiva, a atuação como bolsista promoveu aprendizados que o ensino em sala de aula, por si só, não possibilitaria. Além disso, proporcionou a participação em diversos eventos, um estágio extracurricular, a publicação do capítulo de um livro, resumos e um artigo.  Assim, fica claro que a extensão abre portas, dentro e fora da universidade, e contribui não só para a formação profissional, mas, principalmente, humana.

Biografia do Autor

Ana V. L. Ferreira, UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA

Discente Bacharelado em Psicologia, Departamento de Ciências Humanas e Filosofia – UEFS.  Bolsista PIBEX do Programa Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) (2018-2020). Bolsista de Iniciação Científica PROBIC UEFS (2020). Pesquisadora membro no Núcleo Inter/Transdisciplinar de Ensino, Pesquisa e Extensão de Educação em Saúde.

Amanda Leite Novaes, Universidade Estadual de Feira de Santana

Docente do Departamento de Saúde, DSAU, da Universidade Estadual de Feira de Santana. Pesquisadora líder do Núcleo Inter/Transdisciplinar de Ensino, Pesquisa e Extensão de Educação em Saúde.

Referências

AZEVEDO, A. C. B. et al. Benefícios das Práticas Alternativas, Integrativas e Complementares na qualidade de vida da pessoa idosa. Rev. Acta de Cie. e Sau., v. 1, n. 4, p. 46-59, 2015.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS: atitude de ampliação e acesso. 2ed Brasília: Ministério da Saúde, 2015. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_praticas_integrativas_complementares_2ed.pdf> Acesso em: 09 nov.2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 971, de 03 de maio de 2006. Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPICS) no Sistema Único de Saúde. Brasil: Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2006/prt0971_03_05_2006.html>. Acesso em: 09 nov. 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 849, de 27 de março de 2017. Inclui quinze práticas à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Brasil: Ministério da Saúde, 2017a. Disponível em: <http://dab.saude.gov.br/portaldab/biblioteca.php?conteudo=legislacoes/pnpics>. Acesso em: 09 nov. 2020.

DEBERT, G. G. A reinvenção da velhice. São Paulo: Fapesp, 1999.

FAGANELLO, A. M. P. et al. Metodologia da problematização aplicada nos projetos de extensão universitária para habitação de interesse social em Londrina-PR. Rev. Percurso, Maringá, v. 10, n. 1, p. 179-199, 2018. Disponível em: < http://periodicos.uem.br/ojs/index.php/Percurso/article/view/49741> Acesso em: 05 nov. 2020.

SILVA, L. R. F. Da velhice à terceira idade: o percurso histórico das identidades atreladas ao processo de envelhecimento. História, Ciências, Saúde. Rio de Janeiro, v. 15, n 1, p. 155-168, março 2008.

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Publicado

2021-11-19