ENSINO-APRENDIZAGEM DE INGLÊS E PORTUGUÊS COMO LÍNGUAS ESTRANGEIRAS DE FORMA REMOTA

Autores

  • Igor dos Santos Mota Universidade Estadual de Feira de Santana http://orcid.org/0000-0002-0995-0008
  • Gilcélia Santana Pires Universidade Estadual de Feira de Santana
  • Iranildes Almeida de Oliveira Universidade Estadual de Feira de Santana

DOI:

https://doi.org/10.13102/jeuefs.v2i2.6046

Resumo

Palavras-chave: Ensino remoto. Língua Inglesa. PLE. Idiomas Sem Fronteiras.


Introdução


Ao desenvolver este trabalho em período de pandemia buscamos, junto ao Programa Núcleo de Línguas do Idiomas Sem Fronteiras da Universidade Estadual de Feira de Santana (NucLi-IsF/UEFS), democratizar o ensino da língua inglesa e português como língua estrangeira para o maior número de pessoas de uma maneira dinâmica, valorizando as suas formas de lerem, interpretarem e entenderem o mundo, fortalecendo assim os princípios do trabalho extensionista. 

O objetivo geral do trabalho foi o de contribuir para o desenvolvimento de práticas de Letramento Acadêmico em língua inglesa e português como língua estrangeira da comunidade atendida. E ao mesmo tempo desenvolver a competência profissional do docente de LE em formação. Dentre os objetivos específicos destacam-se, por sua vez: criar espaços de discussão e reflexão, valorizando o desenvolvimento do pensamento crítico; e criar espaços para desenvolvimento da competência comunicativa em línguas estrangeiras.

Para o desenvolvimento do trabalho, é necessário compreender algumas concepções fundamentais dentro das teorias produzidas na área. Dentro do Programa NucLi-IsF, estudamos o conceito de língua a partir de teóricos e teóricas como Makoni e Meinhof (2006), hooks (2017), entre outros/as. Além disso, entendemos os processos de ensino-aprendizagem de línguas estrangeiras a partir dos escritos de Rajagopalan (2003) e Villa & Poblete (2010). Noções outras que também foram discutidas, e que servem de base para o trabalho desenvolvido, são as de material didático (na qual conversamos com Tomlinson (2013), Ferreira (2012) e Oliveira & Reis [2017]) e letramento acadêmico (baseando-nos em Cristovão & Vieira (2016) e Killner & Jung [2019]).


Material e Métodos


Para a construção das atividades, seguimos uma metodologia em etapas que não necessariamente foram seguidas de modo ordenado. O planejamento e preparação de aulas, por exemplo, acontecia geralmente após os momentos de leitura e discussão, reuniões pedagógicas etc. De modo geral, as seguintes etapas foram desenvolvidas:

1. Formação geral

2. Planejamento e preparação de aulas

3. Elaboração e revisão de material didático digital

4. Aulas via Facebook, Zoom e Whatsapp

5. Reuniões administrativas e pedagógicas via Zoom e Meet

6. Fechamento de cadernetas e resolução de pendências

7. Elaboração de certificados

8. Atendimento via Facebook, Zoom e Whatsapp

9. Leitura e discussão

10. Apresentação de trabalho em eventos

11. Participação em Grupos de Trabalho


Resultados e Discussão


Como resultados das atividades desenvolvidas, apontamos: Engajamento dos estudantes, contribuindo formativamente para o desenvolvimento das aulas; Elaboração e edição de materiais didáticos físicos e digitais; Ministração de diversos cursos de Inglês e Português como Língua Estrangeira; Apresentação de trabalhos em diversos eventos científicos; além da elaboração de artigos para publicação em periódicos e anais de eventos.

A pandemia nos apresentou novas dificuldades, no que diz respeito à falta de tecnologias avançadas o suficiente para o desenvolvimento pleno de aulas de forma virtual. A falta de uma boa conexão com a internet foi o principal obstáculo não somente para o professor, mas também para o alunado. A evasão dos cursos foi acelerada, de certa forma, por conta da falta de recursos tecnológicos de alguns estudantes.

A comunidade participante nos ensinou que devemos ter muita empatia, principalmente com a questão da internet. Entender que problemas com internet são muito comuns, principalmente para quem não tem acesso a uma rede de qualidade, foi um dos maiores impactos. E além de aprender línguas, acreditamos que as pessoas também estão aprendendo a se fazerem pertencentes aos espaços virtuais. As aulas no Zoom e Facebook foram, para algumas pessoas, o primeiro contato com tais ambientes.

Ademais, os impactos promovidos pelo Idiomas Sem Fronteiras foram muito significativos para toda a comunidade envolvida, pois com a oferta dos cursos de maneira gratuita, as pessoas têm a possibilidade de enriquecerem seus aspectos culturais ao conhecerem novas culturas, além de poder falar sobre a sua própria realidade na língua. Provocando a participação de diversas formas de olhar para os aspectos culturais de outras sociedades, com criticidade e respeito, desfazendo estereótipos, construindo assim uma ponte entre seus conhecimentos e os conhecimentos do outro, através da língua. 


Considerações Finais


Consideramos que o que foi aprendido durante esse período, apesar das circunstâncias, não seria possível de ser aprendido antes. O impacto mais importante é, com certeza, reconhecer ainda mais a importância do trabalho cooperativo-colaborativo, em equipe, em rede. O trabalho via internet demanda uma organização maior, o que também é um valioso aprendizado. Para além das aulas em si, os resultados obtidos durante o período de participação no programa, em contexto de pandemia, foram avaliados como transformadores para a formação acadêmica, profissional e humana das pessoas envolvidas.


Biografia do Autor

Igor dos Santos Mota, Universidade Estadual de Feira de Santana

Graduando em Letras com Inglês (Departamento de Letras e Artes). Professor bolsista do Núcleo de Línguas - Idiomas Sem Fronteiras (PROEX/UEFS) e professor voluntário do Programa Portal: Ensino-aprendizagem de línguas (PROEX/UEFS).

Gilcélia Santana Pires, Universidade Estadual de Feira de Santana

Professora do Departamento de Letras e Artes - UEFS.

Iranildes Almeida de Oliveira, Universidade Estadual de Feira de Santana

Professora do Departamento de Letras e Artes - UEFS.

Referências

CRISTOVÃO, Vera Lúcia Lopes; VIEIRA, Isabela Rodrigues. Letramentos em língua portuguesa e inglesa na educação superior brasileira: marcos e perspectivas. Ilha do Desterro, v. 69, nº3, p. 209-221, Florianópolis, set/dez. 2016.

HOOKS, Bell. Ensinando a transgredir: A educação como prática da liberdade. 2 ed. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2017 [2000].

OLIVEIRA, Iranildes A.; REIS, Luana M. Princípios teórico-metodológicos para elaboração de material didático de PLE e a necessidade de inclusão sistemática. A Cor das Letras, v. 18, n. 3, p. 194-206, set.-dez. 2017. Disponível em: <http://periodicos.uefs.br/index.php/acordasletras/article/view/2604>. Acesso em 29 ago. 2020.​ doi: http://dx.doi.org/10.13102/cl.v18i3.2604.

FERREIRA, Patrícia C. Material didático digital: experiências de produção e uso na Pós-graduação em Design na PUC-Rio. 2012. 162 f. Tese (Doutorado em Design) - Programa de Pós-graduação em Design, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2012.

KILLNER, M.; JUNG, N. M. Letramento acadêmico em contexto de ensino de português como PLE/PLA. Brazilian English Language Teaching Journal, v. 10, nº 1, Porto Alegre, jan/jun. 2019.

MAKONI, Sinfree; MEINHOF, Ulrike. Linguística aplicada na África: desconstruindo a noção de língua. In: MOITA LOPES, Luiz Paulo. Por uma linguística aplicada indisciplinar. São Paulo: Editora, 2006.

RAJAGOPALAN, Kanavillil. Por uma lingüística crítica: linguagem, identidade e questão ética. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.

TOMLINSON, Brian. Developing Materials for Language Teaching. London: GBR: Bloomsbury Academic, 2013.

VILLA, Aurelio; POBLETE, Manuel (Org.) Aprendizaje basado en competencias: una propuesta para la evaluación de las competencias genéricas. Bilbao: Universidad de Deusto, 2010.

Downloads

Publicado

2021-11-19