ENSINO-APRENDIZAGEM DE PLE NA EXTENSÃO DA UEFS*

Autores

  • Michelle de Souza dos Santos Universidade Estadual de Feira de Santana
  • Iranildes Almeida de Oliveira Universidade Estadual de Feira de Santana

DOI:

https://doi.org/10.13102/jeuefs.v2i2.6122

Resumo

Introdução

O objetivo geral do trabalho foi o de propiciar a aprendizagem de Português para a comunidade estrangeira em Feira de Santana e região, e para participantes do Programa Estudante-Convênio de Graduação (PEC-G). As mudanças bruscas exigidas pela pandemia nos impôs redefinir alguns objetivos e incluir o desenvolvimento da competência digital dos participantes dos cursos, para atender às novas necessidades advindas do fazer pedagógico remoto deste período pandêmico. Foi também escopo deste plano de trabalho desenvolver a competência profissional do docente em formação mediante ação do bolsista nos cursos de português como língua estrangeira (PLE) da extensão da UEFS. Dentre os objetivos específicos destacam-se, por sua vez, propiciar espaços de ensino-aprendizagem de línguas para a inclusão social de forma cooperativa e colaborativa, desenvolver a competência comunicativa  em língua portuguesa daqueles que aqui estão e precisam interagir, conviver e viver em nossa sociedade. Nesse contexto, salientamos como público participante estudantes de Gana, Guiné Equatorial, Haiti, Venezuela, Colômbia, Equador, Gabão, Peru, Argentina. A turma onde o trabalho foi executado iniciou com 21 alunos.

Os cursos de PLE constituem uma demanda institucional que atende ao processo de ampliação do alcance da UEFS no cenário internacional. A graduação, a pesquisa, e a pós-graduação entraram no contexto da internacionalização e a língua portuguesa passou a exercer na universidade  um papel de viabilizadora do estabelecimento de relações entre  as comunidades diversas que circulam no espaço da instituição, entre refugiados e seu reencontro com o exercício da cidadania, justiça social, direito ao trabalho, à saúde, educação, moradia e vivências interculturais. 

O desejo de desenvolver um plano de trabalho nesse contexto se deu pela importante possibilidade de participação em uma ação extensionista cuja função é, sobretudo,  a prática da justiça social.  Por outro lado, acreditamos que agir e interagir com tantas culturas diversas nos proporciona  intercâmbios interculturais de uma riqueza pessoal e profissional incomensurável.


Referenciais Teóricos

Para o desenvolvimento deste plano de trabalho foi necessário revisitarmos conceitos importantes para o delineamento de uma ação extensionista. Assim, em primeiro lugar,  foi fundamental conceber a extensão como uma ação educativa, histórica, científica e cultural com enorme potencial de integrar universidade e comunidade para juntas produzirem conhecimentos e provocarem transformação e justiça social (FORPROEX, 2012, p. 10).  Em segundo lugar, entender a Língua como um construto social e por isso indissociável de processos históricos, como a colonização, políticos, econômicos, culturais, científico-tecnológicos (Makoni e Meinhof, 2006). Em terceiro lugar,  compreender a finalidade de aprender línguas como um processo complexo que envolve o exercício da cidadania ensino-aprendizagem (Rajagopalan, 2003) e a prática da justiça social (Mendes, 2020).  Em quarto lugar, entendemos que o ensino-aprendizagem baseado em competências promove o desenvolvimento holístico de quem se propõe a ensinar e aprender uma língua (Villa & Poblete, 2010).  Em quinto lugar, assumimos que pelo trabalho cooperativo e colaborativo (Johnson, Johnson & Smith, 2006; Torrego & Negro, 2012) chegamos mais facilmente ao exercício da solidariedade tão necessária para a aprendizagem de línguas e para uma  vivência intercultural; Por último, e relacionada com nosso redimensionamento das ações por causa da pandemia, está a concepção de competência digital (Ferrari, 2012) entendida como necessária para o desenvolvimento das ações do curso e para a construção e desenvolvimento de práticas pedagógicas.


Material e Métodos

Para oportunizar a aprendizagem de Português como Língua Estrangeira, dividimos o curso em em 3 fases: 1ª fase - formação do usuário básico da língua; 2ª fase - preparatório para o Celpe-Bras; e 3ª fase - letramento acadêmico - autoavaliação e avaliação do curso, bem como do material didático. 

Nessa perspectiva, a metodologia aplicada considera atividades simultâneas e dependentes, sem uma ordem de execução fixa. Iniciou-se o processo de formação geral da professora bolsista em contexto presencial, com a semana de formação do programa e encontros administrativos e pedagógicos que ocorrem semanalmente e que, posteriormente, foram transferidos para o ambiente virtual. Soma-se a isso o atendimento individual para apresentar e discutir questões específicas presentes no desenvolvimento do trabalho, constantes planejamentos, a preparação e ministração de aulas, a elaboração e revisão de material didático de acordo com os temas a serem discutidos nas aulas do curso, fechamento de cadernetas e resolução de pendências, elaboração de certificados, atendimento individual aos alunos.

Percebeu-se a necessidade de incluir um período de experimentação de plataformas digitais e avaliação de sua eficácia para o ensino-aprendizagem de línguas e inclusão de Grupos de Trabalho, que proporcionaram uma rede de pesquisa - dentro do programa - das práticas desenvolvidas na sala de aula e apresentações em eventos on-line.


Resultados e Discussão

As leituras e discussões dos conceitos elementares e a prática no processo de ensino-aprendizagem desencadearam um ganho incomensurável à formação docente.

A mudança abrupta para o ambiente virtual incitou a inovação em recursos/materiais digitais para elaboração da aula, bem como para sua execução; elaboração e edição de materiais didáticos físicos e digitais; movimentação dos alunos, em Língua Portuguesa, de espaços digitais; pesquisas; apresentação de trabalhos em eventos científicos; elaboração de artigos para publicação em periódicos e anais de eventos.

Além disso, o trabalho desencadeou engajamento não só de pessoas estudantes, contribuindo formativamente para o desenvolvimento das aulas, mas também das pessoas colegas de programa, contribuindo formativamente para o desenvolvimento do plano, no que diz respeito à cooperação e colaboração nos processos formativos, compartilhando práticas e questionamentos elementares para o aperfeiçoamento do fazer pedagógico inovador, crítico e reflexivo (principalmente na mudança abrupta do espaço presencial para o virtual).


Considerações Finais

Uma pesquisa intitulada ``Processos formativos de ensino-aprendizagem de línguas que se desencadeiam ao longo da Pandemia'' demonstra resultados relevantes como avaliação do Ensino-Aprendizagem de PLE do NucLi-IsF/UEFS. O trabalho cooperativo e colaborativo desenvolvido no programa foi exitoso e, sem dúvidas, criou meios de propiciar um ensino-aprendizagem de PLE mais eficaz para todos os agentes - professores e estudantes - , mesmo considerando os efeitos negativos da pandemia. Na verdade, as circunstâncias em que nos encontramos nos encorajou a enfrentar um dos problemas surgidos no decorrer do curso, que foi o baixo nível de desenvolvimento da competência digital dos participantes, oportunizando um crescimento pessoal e profissional. Passamos a incluir nos cursos de PLE conteúdos importantes para o desenvolvimento da competência digital. Sem essa ação importante nossos resultados ficariam comprometidos.


Biografia do Autor

Michelle de Souza dos Santos, Universidade Estadual de Feira de Santana

Professora bolsista de Português como Língua Estrangeira do NucLi-IsF/UEFS. Departamento de Letras e Artes

Iranildes Almeida de Oliveira, Universidade Estadual de Feira de Santana

Coordenadora do NucLi-IsF/UEFS e do projeto de Português como Língua Estrangeira. Departamento de Letras e Artes

Referências

FERRARI, A. Digital Competence in Practice: An Analysis of Frameworks. Luxembourg: Publications Office of the European Union, 2012.

Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras - FORPROEX. POLÍTICA NACIONAL DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA. Manaus, maio de 2012. Disponível em: . Acesso em 16 set. 2020.

JOHNSON, D. W.; JOHNSON, R.; SMITH, K. Active learning: Cooperation in the university classroom. Edina, MN: Interaction Book Company, 2006.

MAKONI, Sinfree; MEINHOF, Ulrike. Linguística aplicada na África: desconstruindo a noção de língua. In: MOITA LOPES, Luiz Paulo. Por uma linguística aplicada indisciplinar. São Paulo: Editora, 2006.

RAJAGOPALAN, K. Por uma linguística crítica: linguagem, identidade e questão ética. São Paulo:

Parábola Editorial, 2003.

VILLA, A.; POBLETE, M. (Dir.) Aprendizaje basado en competencias: una propuesta para la evaluación de las competencias genéricas. Bilbao: Universidad de Deusto, 2010.

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Publicado

2021-11-19