ABC de Antônio Balduíno, um Bildungsroman do herói negro na narrativa brasileira

Autores

  • Weslei Roberto Candido Universidade Estadual de Maringá
  • Luciene Souza Santos UEFS

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v22i3.6230

Resumo

Este artigo objetiva dar corpo à ideia de que o romance Jubiabá, de Jorge Amado pertence à filiação do Bildungsroman, sendo uma variação de sua matriz burguesa europeia, isso porque a história se aclimatou às necessidades do romance da década 30, dando voz aos proletários, erigindo um herói negro que representa todos os trabalhadores da classe baixa, promovendo a emancipação deste como sujeito na narrativa brasileira. Nela, vê-se um herói que passa por uma jornada em papeis diversos, onde vai de malandro a trabalhador, da infância no morro do Capa Negro à fase adulta com as greves e lutas coletivas vividas no cais do porto. Em sua itinerância, espaço-tempo de inúmeras aprendizagens, o protagonista, se encantou pelo cordel e sonhou com a possibilidade de um dia ser cantado como herói em um ABC. Nas reflexões aqui postas foi possível perceber ainda que no romance, Jorge Amado segue apresentando a Bahia, especificamente o entrelaçamento entre a sua cultura popular e a sua religiosidade, traz à luz a presença dos contadores de histórias, dos cordelistas, dos compositores de ABC, dos sambistas, das giras de Candomblé, do Pai de Santo Jubiabá, da mitologia dos Orixás, apresentando um grande painel de parte importante da cultura oral baiana. Para compor a imagem do seu herói, Jorge Amado se inspirou nessa confluência entre a tradição oral e a tradição romanesca do Bildungsroman e a apresentou no romance Jubiabá.

Biografia do Autor

Weslei Roberto Candido, Universidade Estadual de Maringá

Docente da UEM, atuando no DTL -Departamento de Teorias Linguísticas e Literárias, na área de Teoria Literária e Literaturas de Língua Portuguesa. Atua na Pós-graduação em Letras - PLE da UEM - Universidade Estadual de Maringá. Possui graduação em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2000) e Doutorado(2010) em Letras pela mesma Universidade. Atuou como professor da Faculdade de Presidente Prudente, Centro Universitário UNIVEM, FAPREV-UNIESP. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em Letras e Língua e Literaturas Hispânica e Espanhola e Literatura Latino-Americana, atuando principalmente nos seguintes temas: América; Crítica literária; Romantismo ;Memória da América; Memória; Memória e autobiografia; Literatura, História e Memória; Autoficção; Literatura Latino Americana Foi professor de Teorias da Tradução, Língua Espanhola, Literatura Hispânica e Literatura Espanhola e Literatura Latino Americana.

Luciene Souza Santos, UEFS

Possui graduação em Licenciatura em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana (1999), Mestrado em Educação pela Universidade Federal da Bahia (2005) e Doutorado em Programa de Pós-Graduação em Educação pela Universidade Federal da Bahia (2013). Atualmente é professora adjunta da Universidade Estadual de Feira de Santana e Contadora de Histórias. Coordena o Programa de Pós-graduação Mestrado Profissional em Letras /PROFLETRAS/UEFS e é líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Poéticas Orais/UEFS. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Política Educacional, atuando principalmente nos seguintes temas: Contação de Histórias, Leitura, Literatura Infantil e Juvenil, Formação do Leitor e EaD.

Referências

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Publicado

2022-05-07

Como Citar

Candido, W. R. ., & Santos, L. S. (2022). ABC de Antônio Balduíno, um Bildungsroman do herói negro na narrativa brasileira. A Cor Das Letras, 23(1), 42–52. https://doi.org/10.13102/cl.v22i3.6230

Edição

Seção

Dossiê: Um Jorge Amado para o século 21: leitores, narração, identidade, humanismo e mundos ficcionais