Jorge Amado e o mito da família de Ojuaruá

Autores

  • Alisson Vital Oliveira Santos Universidade do Estado da Bahia
  • Edil Costa Silva Universidade do Estado da Bahia

DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v22i3.7764

Palavras-chave:

Jorge Amado, Representação, Identidade, Mito, Ancestralidade

Resumo

As literaturas negro-orais corroboram com a construção das identidades brasileiras, especialmente no que concerne a representação da identidade baiana, elas são uma das riquezas encontradas na literatura de Jorge Amado. A Obra O Compadre de Ogum traz consigo representações identitárias primordiais para a compreensão da influência dos mitos negros no corpo social brasileiro. Nela, Jorge Amado demonstra, através dos mitos do candomblé na vida dos sujeitos/iniciados, a continuidade das identidades negras, e faz isso numa narrativa assentada no humor e sincretismo. Desse modo, o presente artigo, a partir das reflexões de estudiosos como Stuart Hall (2014), Luiz Silva (2010), consiste numa análise de identidades negras e suas representações por meio da família de Ojuaruá, uma família com identidades complexas. Todavia, a narrativa demonstra como estamos todos, personagens ficcionais ou reais, imersos no contexto mitológico dos orixás. A representação da poética dos orixás e suas identidades, em O Compadre de Ogum, nos permite estudar dispositivos que se apresentam como traços de denúncia de racismo religioso, bem como, também permite analisar que a vida está em confluência a mitologia negro-religiosa. Portanto, se discute sobre representações e identidades de personagens negras em suas formas e movimentos na sociedade representada pela literatura amadiana.

Biografia do Autor

Alisson Vital Oliveira Santos, Universidade do Estado da Bahia

Sou atualmente Mestrando no Programa de Pós-graduação em Crítica Cultural, da grande área de Linguística, Letras e Artes na Universidade do Estado da Bahia UNEB, no Departamento de Educação Campus II, Alagoinhas, Ba. Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia - FAPESB. Membro do grupo de Pesquisa NUTOPIA - UNEB. Possui Especialização em Estudos Literários pelo programa de Pós graduação da Universidade Estadual de Feira de Santana, UEFS em 2016. possui Graduação em Licenciatura Plena em Letras com Habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas de Língua Portuguesa na Universidade do Estado da Bahia, UNEB em 2013. Possui formação do Ensino Médio Normal, Magistério.

Edil Costa Silva, Universidade do Estado da Bahia

Possui Graduação em Letras Vernáculas (Universidade Federal da Bahia/1987), Mestrado em Letras e Linguística (Universidade Federal da Bahia/1995) e Doutorado em Comunicação e Semiótica (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo/2005). É Professora Titular Plena de Literatura Portuguesa da Universidade do Estado da Bahia, atuando como professora permanente no Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural (Pós Crítica/UNEB). 

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Publicado

2022-05-07

Como Citar

Santos, A. V. O., & Silva, E. C. . (2022). Jorge Amado e o mito da família de Ojuaruá. A Cor Das Letras, 23(1), 74–93. https://doi.org/10.13102/cl.v22i3.7764

Edição

Seção

Dossiê: Um Jorge Amado para o século 21: leitores, narração, identidade, humanismo e mundos ficcionais