Uma análise lexicológica dos instrumentos e das relações de trabalho em Seara Vermelha, de Jorge Amado

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DOI:

https://doi.org/10.13102/cl.v18i2.1862

Resumo

Em Seara vermelha, Jorge Amado empreende a representação da cultura do povo sertanejo e, por meio de sua narrativa ficcional, faz ecoar marcas indenitárias da cultural desse povo. Tal representação só foi possível pelo uso da linguagem. A língua facultou ao homem Jorge Amado estabelecer a relação indivíduo-sociedade-identidade e cultura. O léxico é o nível da língua que melhor representa o saber de um grupo sócio-linguístico-cultural, pois representa a via de acesso para ver e representar o mundo, deixando, portanto, transparecer os valores, as crenças, os hábitos e os costumes de um grupo social do qual o indivíduo faz parte. No presente texto, almejamos apresentar uma leitura da referida obra mediada pelas lentes da lexicologia, especialmente à luz da teoria dos campos lexicais proposta por Coseriu ([1977] 1986). A análise das lexias organizadas em macro e microcampos lexicais dos instrumentos e das relações de trabalho, conforme postula Coseriu, permite fazer a interseção entre o estudo do vocabulário da obra em questão com o conjunto de valores através dos quais se manifestam as relações entre indivíduos de um mesmo grupo que partilham patrimônios comuns como, por exemplo, a cultura, a língua, a religião, os costumes.

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Biografia do Autor

Maria da Conceição Reis Teixeira, UNEB

Doutora em Letras pela Universidade Federal da Bahia. Professora plena da Universidade do Estado da Bahia atuando no ensino de graduação e pós-graduação (Programa de Pós-Graduação em Estudo de Linguagens). Coordenadora do projeto de pesquisa “Edição e estudo de textos abolicionistas publicados em periódicos baianos”. Líder do Grupo de Pesquisa: Grupo de Edição e Estudos de Textos - GEET / UNEB (Diretório dos Grupos de Pesquisa – CNPq).

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Publicado

2017-12-18

Como Citar

Teixeira, M. da C. R. (2017). Uma análise lexicológica dos instrumentos e das relações de trabalho em Seara Vermelha, de Jorge Amado. A Cor Das Letras, 18(2), 294–302. https://doi.org/10.13102/cl.v18i2.1862